Toco-te mas foges, chamo-te mas não me olhas, peço-te explicações mas não mas dás. Com um sorriso te despedes. Descubro as tuas origens e a tua intimidade, sinto o teu carinho e bondade, identifico a tua finalidade e agradeço-a.
Sais fisicamente. Mas ficas, sentimentalmente. É-me impossível colocar-te entre a espada e a parede, o meu coração não aceitaria e o meu corpo não se conformaria. Não te dou a escolher, não te pressiono, espero. Dou-te a liberdade que nunca tinha dado, esse teu espaço que tanto aprecias. Ficas distante, fria. Eu fico magoado, inconsolável. Voltas por piedade, não suportas ver-me triste. Dás-me a mão e beijas-me o rosto. Abraças-me, e é nesse momento que me passa pela memória todos os momentos vividos a teu lado, todos os obstáculos vencidos e todos os minutos passados a admirar-te, a venerar-te, a tentar ser igual. O meu objetivo não foi atingido. Acabou, abandonas o meu mundo e sinto-me desprotegido, mas estranhamente feliz. Fiz de ti uma pessoa concretizada enquanto quiseste. Ou pelo menos acho que o fiz, e se isso não aconteceu, nunca me foi transmitida a mensagem. Tudo isto são lembranças do passado. Posso dizer que me orgulho dele, só porque caminhei a teu lado durante vários momentos da minha vida. Para mim nunca deixarás de ser o meu porto de abrigo.
No meu reino comandam as saudades, ordenadas pela nostalgia do rei.
"O tempo não para. Só a saudade faz as coisas pararem no tempo." Mário Quintana
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